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Aprendizagem Ativa: exemplos de avaliação protagonizada pelo aluno

Usar a avaliação para ajudar o aluno a aprender. Isso é possível e resolve bem a exigência de apresentarmos resultados com boa produtividade. Basta entender como fazer isso.

A teoria diz que avaliamos de forma somativa (quando só damos a nota), formativa (quando a avaliação ajuda o aluno a aprender) ou diagnóstica. Mas, falta contar para nós (nobres professores), como fazer uma avaliação nas metodologias ativas! Não posso deixar de me revoltar pela falta desse conteúdo nos cursos de mestrado. Por isso, esse texto foi escrito com carinho especial.



Então, apresento alguns exemplos de avaliações e como cada uma delas se enquadra ou não nas metodologias ativas:

Situação 1: Avaliação pelo professor (teacher)

Nessa avaliação, tipicamente, o aluno responde, o professor corrige e atribui um valor para o desempenho do aluno (a nota). Em uma tentativa (fraca) de promover a aprendizagem ativa, o professor apresenta a solução para todos. É uma forma de baixo impacto na aprendizagem porque quem não acertou, apenas vê como poderia ter acertado, mas não transferiu esse conhecimento para a sua bagagem de conhecimentos que consegue usar quando precisa - ou seja, na próxima prova, sua chance de acertar é baixa.

Uma forma de transformar esse processo em metodologia ativa pode ser entendida se pedirmos aos alunos que refaçam a questão da prova (por exemplo) após o professor explicar novamente o conceito. Nesse momento, o aluno passou da experiência concreta que foi a prova para uma etapa em que conscientemente usa o conceito para resolver o problema para a etapa da observação reflexiva. O professor poderia propor uma nova questão a ser resolvida imediatamente usando o mesmo conceito em uma nova situação. O aluno automaticamente passa para a etapa de buscar generalizar o conceito aprendido para uma nova questão (conceituação abstrata). O aluno, na verdade, passou por esses ciclos durante a prova, mas não de maneira completa e, quando o professor resolve a prova propondo uma nova questão, o ciclo de aprendizagem fica completo. Nessa nova questão, ocorre uma nova experiência ativa, logo após ele A expectativa é que dessa forma o aluno aprenda melhor.

Situação 2: auto-avaliação pelo aluno (self)

Entre as várias verdades que aprendi na vida, uma delas é que quem faz não deve avaliar o próprio trabalho. Como atuo na área de auditoria também, isso é o mesmo que dizer que o aluno não deve se auto avaliar. Então, do ponto de vista prático isso é verdade, mas na Educação isso não é uma boa verdade.

Entretanto, se o professor pedir que o aluno se auto avalie, a chance de que isso não tenha nenhum valor educacional é quase absoluto se não for realizado dentro do ponto de vista das metodologias ativas.

A única forma que essa avaliação tem efetividade educacional, no nosso entendimento, é se você der para ele o gabarito da avaliação e usar isso de forma planejada. Quando você pede que o aluno se auto avalie, não há dúvida que é uma aproximação com a metodologia ativa e é esperado que você induza o aluno a refletir ativamente sobre seu resultado. A forma de realizar isso é oferecendo o gabarito para que ele veja a solução correta esperada e a atribuição da nota para si mesmo ganha menos importância educacional do que ele ter um acesso ao conceito aplicado.

Usando esse raciocínio, tenho fatos que comprovam que nesse tipo de avaliação, o aluno normalmente se sub avalia em comparação com a nota dada pelo professor. Empiricamente, a impressão que tenho é que os alunos tendem a se punir por não ter aplicado algo que passou a ser muito simples depois de terem visto o gabarito, mas é mera suposição minha sobre esse fato.

Nessa forma de avaliação, o que tornaria o processo mais completo seria a aplicação de uma nova prova em que os conceitos ensinados sejam exigidos com enunciados diferentes. Essa nova aplicação em novo contexto faria com que os conceitos ensinados ficassem mais acessíveis pelos alunos, o que significa maior retenção do conhecimento e capacidade de aplicação em diferentes contextos.

Situação 3: avaliação pelos colegas (peer)

Nessa avaliação, a questão é passada para o colega fazer a sugestão do que deve ser feito para melhorar a resposta ou para dar uma nota simplesmente. Na primeira forma, a devolutiva ao autor da resposta para leitura e correção criou a situação em que a questão e solução são apresentadas para cada aluno:

  1. ele lê a questão e resolve;

  2. ele recebe o gabarito e usa para compreender a resposta;

  3. ele avalia a questão do colega tendo em mente a lembrança do gabarito (ainda podendo consultá-lo se precisar);

  4. ele recebe a avaliação feita pelo colega e lê, contrapondo a informação com sua questão e com o gabarito, também. (a repetição do "ele" foi proposital)

Se você notou, o acesso do conceito aprendido aconteceu 4 vezes. Essa repetição tem o potencial de transformar o que foi aprendido em instrumentos acessáveis, ou seja, ele teve contato com o conteúdo várias vezes e isso tende a reforçar a capacidade de utilizar o conceito.

Situação 4: tudo junto (peer, self & teacher)

Imagina uma situação em que a questão espera uma resposta que exige um grande esforço do um aluno por que usa muitos conceitos. Eu tinha esse problema quando pedia a alunos que fizessem um resumo de 6 frases para artigos. Isso é necessário entre os pontos de iniciação científica.

A correção disso é um trabalho pesado para o professor. Afinal, são 6 conceitos a serem validados em um único parágrafo para cada um dos N alunos...

Pedi que os alunos fizessem o resumo de um artigo, a seguir avaliassem seu próprio trabalho comparando com um gabarito. Depois disso, avaliaram o que um colega fez, mas sem saber o nome do autor (alegria proporcionada pela tecnologia). Então comparei as notas dadas pelos próprios alunos, pelo colega e pelo professor. O resultado é impressionante e publicamos os resultados em um artigo que você pode ler clicando aqui "Self-, peer- and professor assessment using rubrics in accounting". Essa pesquisa é a continuação de outra feita antes no Irã (texto original aqui).

Os alunos tiveram repetidos acessos ao gabarito e puderam exercitar a compreensão de 6 conceitos (o conteúdo que vai em cada uma das partes do resumo).


Conclusão

Não se pode negar que para um único conceito, talvez, a avaliação feita com maior complexidade seja interessante e produtivo para o contexto de toda a disciplina. Entretanto, considerando um conjunto de conceitos maior, que englobasse um bimestre de aulas, por exemplo, justifica usar essa técnica. Uma sugestão seria a de dar um valor menor para a nota de uma prova e permitir o ciclo completo da situação 4 acima, complementando com a entrega da prova já corrigida pelo aluno. Não seria exatamente uma prova, mas um trabalho dinâmico na metodologia ativa - uma nota de trabalho, não de prova, mas usando um nome de "prova especial", ou algo assim.


Se você gostou desse artigo ou detestou muito, deixe seu comentário. E, se usou alguma dessas formas, conte sua experiência - é compartilhando que melhoramos nosso trabalho.


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